A Arrábida é uma das minhas paixões. Quem já tenha feito o percurso pelo
topo da serra em direcção a Setúbal, nunca mais esquece. Mesmo depois de morrer.
A "minha" cidade, perdoem-me a vaidade e o egoísmo, tem de um lado a serra
com aquelas paisagens que entusiasmam qualquer um. De outro, a simplicidade do
estuário. E tudo tão belo que custa a crer. Por pouco, convertia-me. E a culpa
seria do Sado.
O que me custa é sentir que as leis são apenas letras sobre papel. Criou-se
um parque e uma reserva natural, para que restem alguns cantinhos a salvo do
betão, da indústria e dos fumos. No entanto, alguns interesses falam mais alto
do que as leis, falam mais alto que o rio e mais alto do que a serra. Tudo se
atropela. Este site é o resultado da minha indignação. Do meu protesto.
As pedreiras continuam a comer a serra. Ontem, hoje e amanhã. Cada dia existe
menos um bocado de serra. Até quando? Até não
sobrar nada, a não ser um enorme buraco?
Então aproveitem e tapem-no com entulho. O último que feche a porta.