Actualmente temos uma pedreira e um plano de lavra que tem validade para mais trinta anos, aproximadamente, isto se continuarmos a exploração ao ritmo actual, porém, o ritmo não vai ser o mesmo. Atendendo a que um plano de lavra permite a extracção de toneladas de pedra, se reduzirmos a exploração para metade, o prazo aumentará para o dobro do tempo, e isto significa que a duração do plano de lavra depende directamente do volume de extracção.

A fábrica da Secil no Outão é uma das maiores fábricas de cimento em Portugal. Na década de 70 tinha 6 fornos e uma produção 1.000 toneladas diárias de cimento. Hoje em dia produz 2.000.000 toneladas anuais.

A concessão de dez anos que existia, acabou de ser prolongada. Isto apesar da fábrica se situar no Parque Natural da Arrábida. E relembrando o decreto que cria o parque, a "serra da Arrábida é uma zona a proteger da degradação a que tem estado submetida, com vista ao aproveitamento integral de todos os seus recursos e potencialidades."

É esta a protecção? São estas as potencialidades?

 

Continua o dito decreto-lei: "Constitui ainda a serra da Arrábida um extraordinário componente natural de grande valor paisagístico, encenando panorâmicas de grande beleza natural e de secular humanização. Nela se detiveram ao longo de séculos poetas e pensadores contemplativos, estudiosos e eremitas".

De facto, sempre que passo ali, fico contemplativo. O pó de cimento que se vai depositando em cima dos sinais de trânsito é precisamente para evocar os tais séculos.