O movimento da Poesia-Práxis foi criado por Mário Chamie como dissidência do Concretismo, qualificado de "vanguarda velha". Chamie propôs uma ação poética que se desenvolvesse em três fases: a de composição, a de "levantamento de áreas" e a de consumo. Segundo o poeta, "o autor práxis não escreve sobre temas. Ele parte de áreas (seja um fato externo ou emoção), procurando conhecer todos os significados e contradições possíveis e atuantes dessas áreas, através de elementos sensíveis que conferem a elas realidade e existência. Esses elementos sensíveis são levantados. Infra-estrutural e primordialmente são eles: o vocabulário da área (não o ensejado pela subjetividade dominadora do autor); as sintaxes que a manipulação desse vocabulário engendra; a semântica implícita em toda sintaxe organizada; a pragmática que decorre, de vez que, na mesma medida em que o autor partiu da área e de seu vocabulário para chegar a um texto, o leitor pode praticar o mesmo processamento a partir do levantamento de uma dada área."
No poema "Lavra Dor", de Chamie, o resultado das três etapas de criação poética propostas pelo autor pode ser observado. A Poesia-Práxis filia-se às vanguardas concretistas, ainda que procure contrapor-se a elas. Seus traços formais mais relevantes remetem à noção de poema como objeto autocentrado.
Já a Poesia Marginal procura justamente contextualizar a construção poética, submetê-la à realidade social, e retomar a subjetividade lírica. O crítico Alfredo Bosi enumerou assim as principais características dessa nova poética:
"1) Ressurge o discurso poético e, como ele, o verso, livre ou metrificado – em oposição à sintaxe ostensivamente gráfica.
2) Dá-se nova e grande margem à fala autobiográfica, com toda a sua ênfase na livre, se não anárquica, expressão do desejo e da memória. – em contraste com o desdém pela função da linguagem que o experimentalismo formal programava.
3) Repropõe-se com ardor o caráter público e político da fala poética – em oposição a toda teoria do autocentramento e auto-espelhamento da escrita. Subordina-se a construção do objeto à verdade (real ou imaginária) do sujeito e do grupo."
Além das características apontados por Bosi, podemos lembrar traços formais relevantes como a fragmentação do discurso, que remete à técnica do fluxo de consciência, a citação e a paródia de poetas modernistas, a diluição dos limites entre poesia e prosa, a incorporação de outras linguagens e diferentes níveis de fala, como o coloquialismo e a gíria. No plano temático, houve valorização da abordagem do cotidiano, da auto-ironia, da metalinguagem, do questionamento existencial, social e político. As obras de Ana Cristina Cesar e Paulo Leminski são exemplares dessa nova concepção de poesia.
A fragmentação do discurso também marca a linguagem poética do Tropicalismo, último importante movimento cultural ocorrido no Brasil, segundo alguns estudiosos. Inspirados pela antropofagia de Oswald de Andrade, os tropicalistas propunham a "deglutição" musical da Bossa Nova, dos ritmos brasileiros tradicionais e dos ritmos estrangeiros, como o rock, contrapondo-se às canções ligadas unicamente à tradição ou ao protesto político. Nas letras de suas canções, elementos do discurso cinematográfico, como a justaposição de imagens, e da linguagem concretista, como a enunciação caótica, são alguns dos traços mais relevantes. Na música, a incorporação de guitarras elétricas, misturadas a instrumentos tradicionais da canção popular brasileira, foi um dos modos de pôr em prática a releitura da antropofagia modernista. Esses traços podem ser identificados em "tropicália", considerada o manifesto do movimento, e em várias outras canções de Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Para Heloisa Buarque de Hollanda e Marcos A. Gonçalves, "na opção tropicalista o foco de preocupação política foi deslocado da área de Revolução Social para o eixo da rebeldia, da intervenção localizada, da política concebida enquanto problemática cotidiana, ligada à vida, ao corpo, ao desejo, à cultura em sentido amplo. Na relação com a indústria cultural essa nova forma de conceber a política veio a se traduzir numa explosiva capacidade de provocar áreas de atrito e tensão não apenas no plano específico da linguagem musical, mas na própria exploração dos aspectos visuais/corporais que envolviam suas apresentações. Uma "tática de guerrilha", que poderia ser relacionada às formas de protesto da juventude, à linguagem fragmentada das passeatas com seus comícios-relâmpago, sua retórica e seu ritmo de centralização/ descentralização."