1. Gente Perdida  
2. Tatuagens (dueto com Jorge Palma) 
3. No Rasto do Sol  
4. Cada Lugar Teu      Tablatura
5. Uma Noite para Comemorar  
6. Nalgum Lugar Perdido  
7. Una Casa  
8. Escuro e Luar  
9. Lado (a lado)  
10. Um Pouco de Céu  
11. Vestígios de ti      Tablatura
12. Tatuagens  

O último disco de originais Mafalda Veiga, "Tatuagem", assinala o regresso da cantora à edição discográfica, três anos depois do seu disco anterior.

"Tatuagem", que foi posto á venda em Agosto de 2000, marca também a entrada de Mafalda Veiga no selo Popular, da Valentim de Carvalho.

"Tatuagem" sucede a "Cor da Fogueira", de 1996. Os três anos de pausa de Mafalda Veiga testemunharam muitas mudanças e evoluções. Alguns desses passos sentem-se, obviamente, ao nível artístico: nestes últimos anos, Mafalda dedicou-se ainda mais à composição de canções, evoluindo e procurando um maior intimismo que "Tatuagem" torna evidente ao longo das suas 11 canções originais.

O álbum foi produzido por Manuel Paulo Felgueiras (Ala dos Namorados, Ilhéu de Contenda) e respira sofisticação e subtileza. Das composições de Mafalda Veiga (que na tradição dos verdadeiros songwriters se responsabiliza pelas palavras e pelas melodias) sobressai uma profunda riqueza melódica e uma atenção aos detalhes do dia-a-dia, numa escrita fluida e muito pessoal.

O primeiro single retirado do novo disco é o tema "Tatuagens", um dueto com Jorge Palma que lança o tom para esta fascinante colecção de canções. "Tatuagens" e "Vestígios de Ti", entre outros temas, falam das marcas permanentes herdadas emocionalmente através das relações humanas. Marcas profundas que Mafalda Veiga explora da melhor maneira na sua escrita profundamente visual e rica de emoções e vida.

Apontado pela própria autora como "um disco muito mais maduro", "Tatuagem" é, ainda de acordo com Mafalda Veiga, "um álbum onde surge uma linguagem própria, onde a procura de uma identidade enquanto compositora é uma coisa evidente."

Mafalda confessa ouvir muita música composta por mulheres, cultivando um olhar sobre songwriters norte-americanas como Tori Amos, Sheryl Crow ou Joni Mitchell. É esse mesmo universo feminino que é sentido à flor da pele ouvindo a música incluída em "Tatuagem". Uma música feita de intensas e apaixonantes paisagens melódicas e texturas que oscilam entre a pureza acústica e uma re-exploração da guitarra eléctrica que Mafalda veiga não visitava há algum tempo.

O primeiro single, "Tatuagens", o dueto com Jorge Palma, tem um vídeo realizado por José Pinheiro, um dos mais destacados e criativos realizadores portugueses que tem assinado trabalhos para os mais importantes nomes da música portuguesa.

 

Gente Perdida  

Eu fui devagarinho
Com medo de falhar
Não fosse esse o caminho certo
Para te encontrar
Fui descobrindo devagar
Cada sorriso teu
Fui aprendendo a procurar
Por entre sonhos meus

Eu fui assim chegando
Sem entender porquê
Já foram tantas vezes tantas
Assim como esta vez
Mas é mais fundo o teu olhar
Mais do que eu sei dizer
É um abrigo pra voltar
Ou um mar para me perder

Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
A gente finge
Mas sabe o que não é verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E sinto tanto, tanto a tua falta

Eu fui entrando pouco a pouco
Abri a porta e vi
Que havia lume aceso
E um lugar pra mim
Quase me assusta descobrir
Que foi este sabor
Que a vida inteira procurei
Entra a paixão e a dor

Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
Gente perdida
Balança entre o sonho e a verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E sinto tanto, tanto a tua falta

Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
Gente perdida
Balança entre o sonho e a verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E guardo este abraço só para ti
 

Tatuagens (dueto com Jorge Palma)    

em cada gesto perdido
tu és igual a mim
em cada ferida que sara
escondida do mundo
eu sou igual a ti

fazes pintura de guerra
que eu não sei apagar
pintas o sol da cor da terra
e a lua da cor do mar

em cada grito da alma
eu sou igual a ti 
de cada vez que um olhar
te alucina e te prende
tu és igual a mim

fazes pinturas de sonhos
pintas o sol na minha mão
e és mistura de vento e lama
entre os luares perdidos no chão

em cada noite sem rumo
tu és igual a mim
de cada vez que procuro
preciso um abrigo
eu sou igual a ti

faço pinturas de guerra
que eu não sei apagar
e pinto a lua da cor da terra
e o sol da cor do mar

em cada grito afundado
eu sou igual a ti
de cada vez que a tremura
desata o desejo
tu és igual a mim

faço pinturas de sonhos
e pinto a lua na tua mão
misturo o vento e a lama
piso os luares perdidos no chão

guitarra acústica e eléctrica: mário delgado
contrabaixo: carlos barreto
bateria: rui alves
coros: susana félix
participação especial de jorge palma

No Rasto do Sol   

Duas luas no céu e duas canções
Dois olhares que se cruzam a procurar
Um sol um luar
E todos os lugares onde a luz se pode abraçar

Doze luas em ti e sete marés
Sete barcos navegam a procurar
Um porto uma praia
Talvez no fim do mar onde alguém nos venha esperar

Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo

Duas luas no céu na palma da mão
Dois olhares que se entregam até ao fim
Do corpo e da alma
Em todos os lugares onde o mundo me fala de ti

À tua volta há luz de sete luares
Sete barcos navegam para encontrar
Um fogo um calor
Talvez no fim de tudo haja força pra recomeçar
Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo

Duas luas no céu e duas canções
Dois olhares que se cruzam a procurar
Um sol um luar
E todos os lugares onde a luz se pode abraçar

Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo
 

Cada Lugar Teu        Tablatura

Sei de cor cada lugar teu
Atado em mim
A cada lugar meu
Tento entender o rumo
Que a vida nos faz tomar
Tento esquecer a mágoa
Guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim
Protege o que eu te dou
Eu penso em ti
E dou-te o que de melhor eu sou
Sem ter defesas que me façam falhar
Nesse lugar mais dentro
Onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
Como se arrancassem tudo o que já foi
E até o que virá
E até o que eu sonhei
Diz-me que vais guardar e abraçar
Tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
E o mundo nos leve pra longe de nós
E que um dia o tempo pareça perdido
E tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
Ancorado em cada lugar meu
E hoje apenas isso me faz acreditar
Que eu vou chegar contigo
Onde só chega quem não tem medo de naufragar
 

Uma Noite para Comemorar  

Esta é só uma noite para partilhar
Qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
Um lugar a salvo para onde correr
Quando nada bate certo
E se fica a céu aberto
Sem saber o que fazer

Esta é uma noite pra comemorar
Qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
Um lugar pra nós onde demorar
Quando nada faz sentido
E se fica mais perdido
E se anseia pelo abraço de um amigo

Esta é só uma noite para me vingar
Do que a vida foi fazendo sem nos avisar
Foi-se acumulando em fotografias
Em distâncias e saudade
Numa dor que nunca cabe
E faz transbordar os dias

Esta é uma noite para me lembrar
Que há qualquer coisa infinita como o firmamento
Um sorriso, um abraço
Que transcende o tempo
E ter medo como dantes
De acordar a meio da noite
A precisar de um regaço
 

Nalgum Lugar Perdido  

Olhar-te um pouco
Enquanto acaba a noite
Enquanto ainda nenhum gesto te magoa
E o mundo for aquilo que sonhares
Nesse lugar só teu

Olhar-te um pouco
Como se fosse sempre
Até ao fim do tempo, até amanhecer
E a luz deixar entrar o mundo inteiro
E o sonho se esconder

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti

Enquanto dormes
Por um momento à noite
É um tempo ausente que te deixa demorar
Sem guerras nem batalhas pra vencer
Nem dias pra rasgar

Eu fico um pouco
Por dentro dos desejos
Por mil caminhos que são mastros e horizontes
Tão livres como estrelas sobre os mares
E atalhos pelos montes

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti
 

Una Casa  

Hoy yo te encontré en una casa vieja
Tu ya te marchabas a otro lugar
No llevabas nada más que el mundo entero
Y todos los otros que vas a encontrar

Es como una história que viaja en ti
Es como un camino que se pierde
A veces despertar en una casa
Sin conocer
Ni sombras ni paredes

Y empezar de nuevo otro camino
Con eso que nadie nos puede robar
Eso que renace en el destino
Y que casi nunca sabemos nombrar

Es como una historia que viaja en ti
Los sueños que llenan cada hueco
Querer despertar en una casa
Donde se conocen todos los secretos

Hoy yo te encontré al final del dia
Respirando cielo y horizonte
Esperabas ver la primera estrella
Para decidir cual es su nombre

Y seguir la historia que viaja en ti
Los sueños que te guían cada paso
A veces despertar en una casa
Es como despertar en un abrazo
 

Escuro e Luar  

Feitos de chão, de chuva e sonho
Fora do tempo
Despedaçado o que fica de nós
Nas batalhas sentidas cá dentro
Por isso é que eu sigo esse brilho de noite 
Que é estrela ou chama
Olhar ou mar
E vou procurar essa luz
Mas só quero lá chegar contigo

Feitos de tempo em mil pedaços
De escuro e luar
Há uma noite que é escolhida pra ser
Essa noite que se há-de guardar
Por isso é que eu sigo esse brilho ou calor
Que é estrela ou chama
Ou tu em mim
E vou pra poder descobrir
Quem é que ainda sou contigo 
Dispo o cansaço e recomeço
Mais uma vez
Há um sorriso que nos salva do frio
E recolhe o que a vida desfez
Se me desarmo noutro feitiço
Num outro olhar
Há um abrigo que não deixa morrer
Quem nós somos e o que temos pra dar
Por isso é que eu sigo esse brilho da noite
Que és tu em mim
Ou quem fui
E vou pra poder descobrir
Quem é que ainda sou contigo
 

Lado (a lado)  

Há gente que espera de olhar vazio 
Na chuva, no frio, encostada ao mundo 
A quem nada espanta 
Nenhum gesto 
Nem raiva ou protesto 
Nem que o sol se vá perdendo lá ao fundo 

Há restos de amor e de solidão 
Na pele, no chão, na rua inquieta 
Os dias são iguais já sem saudade 
Nem vontade 
Aprendendo a não querer mais do que o que resta 

E a sonhar de olhos abertos 
Nas paragens, nos desertos 
A esperar de olhos fechados 
Sem imahens de outros lados 
A sonhar de olhos abertos 
Sem viagens e regressos 
Outro dia lado a lado 

Há gente nas ruas que adormece 
Que se esquece enquanto a noite vem 
É gente que aprendeu que nada urge 
Nada surge 
Porque os dias são viagens de nínguém 

A sonhar de olhos abertos 
Nas paragens, nos desertos 
A esperar de olhos fechados 
Sem imagens de outros lados 
A sonhar de olhos abertos 
Sem viagens e regressos 
A esperar de olhos fechados 
Outro dia lado a lado 
Aprende-se a calar a dor 
A tremura, o rubor 
O que sobra de paixão 
Aprende-se a conter o gesto 
A raiva, o protesto 
E há um dia em que a alma 
Nos rebenta nas mãos
 

Um Pouco de Céu  

Só hoje senti
Que o rumo a seguir
Levava pra longe
Senti que este chão
Já não tinha espaço
Pra tudo o que foge
Não sei o motivo pra ir
Só sei que não posso ficar
Não sei o que vem a seguir
Mas quero procurar

E hoje deixei
De tentar erguer
Os planos de sempre
Aqueles que são
Pra outro amanhã
Que há-de ser diferente
Não quero levar o que dei
Talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar
Um pouco de céu
Um pouco de céu

Só hoje esperei
Já sem desespero
Que a noite caisse
Nenhuma palavra
Foi hoje diferente
Do que já se disse
E há qualquer coisa a nascer
Bem dentro no fundo de mim
E há uma força a vencer
Qualquer outro fim

Não quero levar o que dei
Talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar
Um pouco de céu
Um pouco de céu
 

Vestígios de ti      Tablatura

Os meus discos no chão
Os copos vazios
Vestígios da noite
As palavras perdidas
O calor e o frio

O meu corpo no chão
Um livro que eu li
O silêncio e a pele
As palavras sentidas
Os vestígios de ti

E o mundo e a rua
Despidos no vento
À espera de sentir o mar
Numa vaga de espuma
Em sentidos guardados
No fundo do olhar

As revistas no chão
Os copos vazios
Vestígios do tempo
As palavras trocadas
O calor e o frio

Cada gesto que abraça
E um filme que eu vi
O que fica marcado
E já nunca se afasta
Os vestígios de ti

E o mundo e a rua
Despidos no vento
À espera de sentir o mar
Numa vaga de espuma
Em sentidos guardados
No fundo do olhar